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Historial Vela Adaptada

A Vela Adaptada no Naval

 

A vela adaptada dá os seus primeiros passos, se assim se pode dizer, no Clube Naval do Funchal, ainda no Século XX mais precisamente no ano de 1999, quando o treinador Emanuel Silva do Clube Naval do Funchal, trouxe até São Lázaro, alguns alunos dos Serviços Técnicos de Deficiência Motora da Direcção Regional de Educação Especial e Reabilitação (DREER).


Nessa altura os jovens passeavam por pouco tempo e era de forma pontual e esporádica.
Nos anos seguintes, estas pequenas experiências foram aumentando e em 2003, o Clube Naval do Funchal, através do seu Director do Departamento de Vela António Cunha, aceitou o desafio da Técnica superior da D.R.E.E.R. Drª Maurília Cró, que conjuntamente com o Treinador Emanuel Silva propuseram a vinda de alunos com maior frequência e regularidade.


Assim em Janeiro de 2003, um conjunto de três jovens iniciaram a actividade realizando à sexta-feira um treino sob a orientação do Treinador Emanuel Silva, numa embarcação escola, o “Raquero”.


Na altura, apesar de não ser a embarcação mais apropriada à sua formação, pois os jovens tinham enormes dificuldades para entrar na embarcação, bem como se movimentarem na mesma, pois aquando de uma viragem de bordo - mudança de direcção do barco – tinham que fazer um esforço tremendo, recorrendo aos braços e mãos no fundo do barco, para se deslocarem e se sentarem a barlavento (mudavam de uma borda para outra), o lado do barco por entra o vento e onde o peso do velejador é essencial, para dar equilíbrio e estabilidade ao barco.


A ausência de embarcações adequadas, apesar de então haver no mercado internacional, o Raquero foi o impulsionador e motivador, apesar das enormes dificuldades em aprenderem a nomenclatura das embarcações e gestos técnicos de base frisava na altura o treinador.


Nessa época, as aulas eram poucas e espaçadas no tempo, o que fazia que até na arte de marinheiro como os “Nós”, os jovens tivessem dificuldades, bem como nos conteúdos da modalidade, levando muito mais tempo a serem assimilados.


Durante os primeiros 4 a 5 meses, estes jovens estavam completamente dependentes do treinador, no entanto a sua persistência, vontade e querer, e o empenho do treinador Emanuel Silva, levou-o em Junho de 2003, a colocar os jovens num Optimist, embarcação de iniciação à vela para crianças, o que lhes permitiu uma gradual autonomia, de tal modo que cada um dos três iniciantes passou a navegar sozinho numa embarcação.


Foi sem duvida um momento de realização e conforto para o treinador e colaboradores da vela do naval e de enorme satisfação para os jovens alunos, o sorriso compensava tudo.


O então director da vela do naval, António Cunha, não satisfeito com a situação dos meios materiais, com o apoio do colaborador do clube na área da náutica de recreio, Joaquim Barata da Silva, iniciam uma cruzada no sentido de angariarem fundos para aquisição de barcos apropriados para este fim. Na altura as embarcações apenas eram fabricadas na Austrália, sendo que o fabricante oferecia o transporte até Portugal caso o contentor viesse cheio. Eram necessários 8 barcos para encher um contentor de 20 pés, bem como, cerca de 3.000,00€ por cada barco. Reunido os apoios financeiros através de três empresas, na altura foram adquiridas duas embarcações novas no inicio de 2004, que poderiam ser utilizadas por um ou dois tripulantes em simultâneo, os Access 2.3, que fruto do local de fabrico apenas chegaram à Madeira em Julho de 2004, tendo os jovens durante a época de 2003/2004 esperado ansiosamente pela chegada dessas embarcações, que eram dotadas de meios que lhes permitia em segurança e confronto navegar autonomamente, e que apenas viriam a ser utilizadas na época seguinte em Outubro de 2004 (época 2004/2005), dado o encerramento deste núcleo de velejadores no período de Verão.


Com as novas embarcações disponíveis a partir de Outubro o CNF, desafia a Associação Regional de Vela da Madeira (ARVM) a integrar esta classe no seu calendário oficial, situação que acontece de forma informal, passando esta classe a competir na época de 2006/2007 conjuntamente com as escolas de vela optimist dos diferentes clubes regionais, nos chamados Encontros Regionais de Infantis, situação que se vem mantendo até aos dias de hoje.


O ano de 2005, fruto da melhoria das condições materiais e objectivos, motivou ainda mais este grupo, passando o mesmo a trabalhar duas vezes por semana durante as tardes, sendo ponto alto a aquisição de uma terceira embarcação, graças a mais um mecenas que acreditava e apoiava este projecto.


Este empenhamento possibilitou a realização do 1º Estagio desta classe integrada com as escolas de optimist do Clube, levando até Porto Santo entre 23 e 25 de Abril de 2005, dois velejadores integrados numa comitiva de 14 jovens iniciantes à vela, num estágio que contou ainda com a participação do naval local.


O ano de 2005, fica ainda marcado pela primeira participação nacional de velejadores da região, num encontro nacional realizado na Póvoa do Varzim.


Numa organização conjunta do Clube Naval Povoense, Clube S. João do Porto e Associação Portuguesa de Vela Adaptada, a 16 e 17 de Julho realizou-se as 1ª Regatas S. Pedro, enquadrada no plano de actividades da Associação Portuguesa de Vela Adaptada, competição que contou com a presença de cerca de duas dezenas de participantes, distribuídos nas seguintes categorias: C1 – Deficientes tetraplégicos nas embarcações de vela adaptada LIBERTY e C2 – Deficientes paraplégicos na classe ACESS 2.3.


O Clube Naval do Funchal, pela primeira vez na sua história fez-se representar com dois velejadores, Elvio Barradas e António Nobrega um treinador de vela, Emanuel Silva e um técnico superior na área da deficiência Prof Joaquim Cardoso.


Os velejadores do CNF, competiram na classe Acess 2.3, e venceram o Torneio, tendo António Nobrega vencido seguido de Elvio Barradas, fruto de excelentes prestações desportivas.


Estes resultados motivaram ainda mais os técnicos, dirigentes e obviamente os velejadores, no entanto a classe ainda se estava a estruturar a nível nacional, logo o trabalho nesta área centrou-se apenas na região, em 2006.


Com novas sinergias, o ano de 2006 trouxe um novo colaborador, o Prof Pedro Correia, técnico especializado da DREER, que assim se juntou ao grupo, de forma a aumentar a qualidade do trabalho.


Apesar de regularmente treinarem duas vezes por semana, os jovens participantes nesta classe passaram a competir regularmente nas provas regionais abertas e encontros regionais de infantis, com destaque para o do 54º Aniversário do Clube Naval do Funchal que decorreu a 29 e 30 de Abril de 2006, com José Martins Calaça a vencer, seguido de Élvio Barradas e fechando podium António Nóbrega, todos do CNF.


Já no mês de Junho com a realização do I Torneio de infantis numa organização da ARVM, Elvio Barradas volta a vencer seguido por António Nobrega, enquanto que em 17 de Dezembro nas denominadas Regatas São Silvestre numa organização da ARVM, António Nobrega venceu as duas regatas do torneio, seguido por Elvio Barradas e José Calaça, demonstrando já aptidões para puder competir de igual em provas oficiais.

 

Tal como em 2006, o ano de 2007, trouxe poucas alterações, contudo o técnico superior Pedro Correia lança o desafio e o clube cria o projecto “VELA PARA TODOS”, cujo objectivo principal era chamar a atenção da sociedade em geral para esta actividade, no sentido de conseguirmos mais apoios e velejadores.


Apesar da motivação crescente, sendo que novamente a competição restringiu-se às provas regionais, tipo abertas e encontro de infantil, o que possibilitou a participação no 55º aniversário do CNF em 28 e 29 de Abril, onde mais uma vez venceu António Nóbrega, seguido por José Calaça e José Marques, enquanto que o terceiro lugar ficou entregue a Elvio Barradas e Mónica Mendonça. O grupo cresceu para seis praticantes regulares, com a entrada de mais uma rapariga no grupo.


Já no mês de Maio a 19 e 20 de 2007, o Naval participa nas comemorações do Dia da Marinha, em que se celebrou os 509 anos sobre a data da chegada á índia da Armada de Vasco da Gama., tendo José Calaça vencido, seguido de António Nobrega e de Elvio Barradas, todos do CNF, classificando-se em 1º lugar feminino Monica Mendonça também do CNF. Já a 2 e 3 de Junho no I Encontro Regional de infantis, António Nobrega vence seguido por José Calaça/José Sousa, fechando o podium Elvio Barradas/Mónica Mendonça.


O ano terminou com a participação nas Regatas São Silvestre, numa competição que contou com mais de sete dezenas de participantes, em diferentes classes sendo que nos Access 2.3, António Nobrega volta a vencer, seguido pelo Elvio Barradas e em 3º lugar José Calaça.
Ainda neste ano de 2007, o Clube Naval do Funchal, não conseguia receber muitos mais velejadores apesar de ter embarcações para isso, a falta de um guincho para colocar e retirar os velejadores das embarcações fazia com que a classe não evoluísse em numero de praticantes, pois era preciso duas pessoas, uma a segurar na embarcação e outra a aguentar no velejador de modo a ajudá-lo a sentar no barco. É e era uma tarefa difícil.

 

O ano de 2008, o CNF e os clubes nacionais que dinamizavam a vela Adaptada no país (Escola Nacional de Vela Adaptada, C. N. da Figueira da Foz, C.N. São João do Porto, C. Naval Povoense, C. Naval de Cascais, G.C. Naval de Faro e Clube da Boa Esperança) tentam organizar-se de modo a sensibilizar a Federação Portuguesa de Vela e Associação da classe Access Portugal, para que a competição nacional passasse a ser uma realidade. O grupo da classe que regularmente trabalhava duas vezes por semana, passa de seis para oito velejadores, fruto da maior dinâmica e motivação dos seus agentes.


A época inicia-se regularmente e de 16 a 20 de Março de 2008 o clube organiza o seu 2º estágio, desta vez na Calheta com o apoio da Sociedade de Desenvolvimento Ponta Oeste e do Clube Naval local, levando cerca de vinte e quatro velejadores sendo 4 deles da vela adaptada.


Em 20 de Abril o clube promove uma acção de formação para esta classe conjuntamente com o apoio da ARVM através do Director Técnico Regional Dr Francisco Trigo, incidindo o trabalho de forma teórico-prática, sobre os procedimentos de largada em regatas e sinalização. Em 4 de Maio a classe participa no 56º Festival Náutico do Aniversário do CNF, e em 17 e 18 de Maio participa no Dia da Marinha, com Elvio Barradas a vencer seguido por António Calaça e António Nobrega.


Já em Setembro de 2008, foi tempo de rumar à capital do país, onde participaram no II Encontro Nacional Vela Sem Limites numa organização do C.N de Cascais e Câmara Municipal local e da CERCICA.

 

O Clube Naval do Funchal não quis perder esta oportunidade e pela segunda vez no seu historial iria fazer-se representar após os excelentes resultados obtidos em 2006 (1º e 2º classificados da geral) com 2 atletas; o António Nobrega e o Élvio Barradas e 2 treinadores Emanuel Silva e Pedro Correia. A participação do Clube Naval do Funchal só foi possível, graças aos apoios da Associação Regional de Vela da Madeira e Federação Portuguesa de Deficientes do Desporto, bem como da Direcção Regional de Educação Especial. Na altura o técnico Pedro Correia, docente no Centro de Actividades Ocupacionais pela Direcção Regional da Educação Especial e que colabora com o projecto da vela adaptada do Clube Naval do Funchal, não conseguia esconder a motivação que sentia em ensinar jovens com deficiência motora.


As expectativas eram grandes tendo em conta que se espera cerca de 10 a 12 clubes estarem presentes o que no entanto não se veio a confirmar. Este encontro acabou por ser cancelado devido aos fortes ventos, para descontentamento dos nossos velejadores, que nem dormiram na véspera porque estavam muito ansiosos, não houve prova, lamentou o responsável.


No entanto houve oportunidade para no Sábado experimentar novas embarcações, neste caso os Liberty, e o Clube Naval do Funchal, aproveitou e lançou o desafio aos clubes nacionais, para a realização de um Encontro Nacional de Vela Adaptada na Região Autónoma da Madeira no Verão de 2009.


A proposta foi feita pelos técnicos Emanuel Silva e Pedro Correia e a receptividade foi grande da parte dos restantes clubes presentes — CN Cascais, CN Sesimbra, GCN Faro, CN Povoense, Cooperativa de Educação e Reabilitação de Cidadãos Inadaptados de Cascais (CERCICA) e CN Esperanças —, o que deixou desde logo boas perspectivas na concretização desta meta da nossa colectividade.


O ano de 2009, começou com o empenhamento na grande organização que o clube colocara pela frente, que seria o Encontro Nacional de Vela Adaptada e Campeonato Regional da Classe Access 2.3, a realizar no inicio de Julho, bem como a entrada do Prof Hugo Rosa como técnico especialista nesta classe a partir de Setembro.


Fruto dessa organização o clube adquire uma nova embarcação em Espanha, na expectativa de se fazer representa com 4 velejadores no encontro de Julho, situação que não veio a verificar dado o atraso da expedição das embarcações da fábrica na Austrália.
O clube aumenta a frequência das aulas semanais de duas para três, passando às 5ªs feiras de manhã, com diferentes serviços da DREER (Centro de Actividades Ocupacionais (CAO) de São Roque, C.A.O. Machico, C.A.O. C. Lobos, C.A.O. S. Pedro) a realizar baptismos de mar.


De 27 a 30 de Março de 2009 organiza um estágio para as suas escolas de vela classe Optimist e Access 2.3, em Porto Santo. O estágio realizado nas instalações do Clube Naval de Porto Santo e conta com um contingente de 21 atletas e três treinadores do CNF juntando-se na Ilha dourada um técnico e mais 3